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Mais de 33 milhões brasileiros não foram votar: como as abstenções podem afetar o 2º turno

Número recorde de eleitores ausentes no primeiro turno coloca a participação eleitoral no centro da nova disputa pela Presidência

Alexia Diaz
Por: Alexia Diaz
05/10/2026 às 09h45
Mais de 33 milhões brasileiros não foram votar: como as abstenções podem afetar o 2º turno
Foto: Reprodução

 

Mais de 33 milhões de brasileiros aptos a votar não foram às urnas no primeiro turno das Eleições 2026. Foram 33,4 milhões de ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual é o maior registrado em uma eleição presidencial desde 1998.

Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, cerca de 125 milhões compareceram para votar. O número de ausentes supera, em termos absolutos, o registrado no primeiro turno de 2022, quando aproximadamente 32,8 milhões de eleitores não compareceram às urnas.

O cenário ganha importância porque a eleição presidencial não foi decidida no primeiro turno. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) avançaram para a segunda etapa, marcada para 25 de outubro. Com isso, milhões de eleitores que não participaram da primeira votação permanecem fora da conta dos votos válidos que definiram os dois candidatos que seguirão na disputa.

O que pode explicar a abstenção?

A ausência nas urnas não tem uma causa única. Dados analisados após o primeiro turno apontam diferenças de participação conforme idade, escolaridade e outros fatores sociais. Entre os grupos com maiores índices de abstenção estão eleitores mais idosos e pessoas com menor escolaridade. Também há diferenças entre os estados e regiões do país.

Outro fator apontado em análises sobre o comportamento do eleitorado é a dificuldade de deslocamento e situações relacionadas à atualização cadastral. Portanto, o número de ausentes não pode ser interpretado apenas como desinteresse pela eleição, já que diferentes fatores podem levar um eleitor a não comparecer.

A taxa também acompanha uma tendência observada nas últimas eleições presidenciais. Depois de atingir 16,75% em 2006, a abstenção passou para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022. Em 2026, chegou a 21,08%.

Segundo turno pode mudar o nível de participação

A eleição agora entra em uma nova fase, com apenas dois candidatos na disputa pela Presidência. Historicamente, o segundo turno pode apresentar comportamento diferente do primeiro em relação à participação, embora não seja possível antecipar quantos dos eleitores ausentes voltarão às urnas em 25 de outubro.

O próprio presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral pretende intensificar as ações para reduzir a abstenção na segunda votação. “Não é o ideal uma abstenção de 20%. A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos disponíveis para que a gente consiga diminuir esse percentual no segundo turno”, afirmou.

Além dos 33,4 milhões que não compareceram, o primeiro turno registrou aproximadamente 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos. No segundo turno, os eleitores deverão escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.

O resultado do primeiro turno, portanto, deixou um número expressivo de eleitores fora da votação efetiva. A participação desse grupo, caso parte dele compareça em 25 de outubro, será um dos elementos a serem observados na segunda etapa da eleição.

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