
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez 12 declarações classificadas como falsas, enganosas, imprecisas ou sem contexto durante o último debate presidencial, realizado pela TV Globo, na sexta-feira (23). O levantamento foi realizado pelo Estadão Verifica, que analisou as informações apresentadas pelos candidatos ao longo do confronto.
Entre as declarações consideradas falsas está a afirmação de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria adiado de 2033 para 2050 a meta de universalização do tratamento de esgoto. Segundo a checagem, a Lei nº 14.026/2020 mantém o prazo de 31 de dezembro de 2033 para que 90% da população tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.
Outra afirmação falsa envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio negou que o pai tivesse imitado pessoas com dificuldades para respirar durante a pandemia de Covid-19. Entretanto, registros de transmissões realizadas em março e maio de 2021 mostram o então presidente reproduzindo gestos associados à falta de ar enquanto defendia tratamentos sem comprovação científica contra a doença.
O candidato também repetiu a alegação de que Lula teria defendido o roubo de celulares para que criminosos comprassem cerveja. A informação foi classificada como falsa por utilizar trechos de uma entrevista de 2017 retirados de contexto. Na gravação original, Lula abordava a relação entre violência e dificuldades econômicas, enquanto a referência à cerveja fazia parte de uma discussão sobre rivalidade entre torcidas de futebol.
Entre as declarações enganosas, Flávio afirmou que Jair Bolsonaro havia determinado a isenção de pedágio para motociclistas em todas as rodovias concedidas. A medida, publicada em 2021, abrangia apenas novas concessões de rodovias federais. O senador também atribuiu exclusivamente ao pai o aumento do benefício social para R$ 600, embora a ampliação tenha ocorrido por iniciativa do Congresso Nacional.
Outra declaração considerada enganosa foi a de que Jair Bolsonaro teria sido responsável pela entrega da transposição do Rio São Francisco. Apesar de ter inaugurado trechos do empreendimento, o ex-presidente recebeu as obras com mais de 90% de execução em 2019. O projeto teve início em 2006, durante o primeiro governo Lula, e passou por diferentes administrações federais.
O levantamento também identificou imprecisões em dados apresentados pelo senador sobre saneamento básico, endividamento e juros. Flávio afirmou que 40 milhões de brasileiros não tinham acesso à água tratada, enquanto levantamento do Instituto Trata Brasil apontava aproximadamente 34 milhões. Ele também mencionou 80 milhões de pessoas endividadas, diante de um registro de 75 milhões de inadimplentes em setembro de 2026.
Outras três declarações receberam a classificação de falta de contexto. Elas envolveram a dívida pública brasileira, os índices de feminicídio e a ligação anterior de Adélio Bispo, autor do atentado contra Jair Bolsonaro em 2018, com o PSOL. No último caso, a checagem destacou que Adélio havia deixado o partido em 2014, quatro anos antes do ataque, e que as investigações da Polícia Federal não identificaram participação de organizações políticas no crime.
Ao todo, o Estadão Verifica analisou 17 afirmações de Flávio Bolsonaro durante o debate. Dessas, cinco foram consideradas verdadeiras. A checagem foi realizada com base em documentos oficiais, levantamentos estatísticos e registros públicos.